A materialização da consciência

Cada vez mais valorizamos o mundo material em detrimento do que rege essa admiração: a consciência. É verdade que ter um bom carro ou uma boa casa influenciam o nosso bem-estar físico e psíquico, mas até que ponto devemos refugiar-nos nisso para definir a nossa felicidade? Será que carecemos de toda esta panóplia de gadgets e produtos, ou estaremos nós a ser alvo de uma imposição de necessidades?

Enquanto nos debruçamos sobre esta matéria existem desigualdades sociais alarmantes, injustiças humanamente inconcebíveis e todo um conjunto de situações que a crescente “moda” da materialização não poderá, alguma vez, abordar. Porquê? Simplesmente porque exclui a qualidade/dom conexa ao ser humano (e não só). Esta moda de consumo insaciável relega para segundo plano a nossa consciência, a nossa capacidade para questionar e, consequentemente, a habilidade que temos para moldar a realidade

TEORIA DO BIOCENTRISMO

De acordo com esta teoria a realidade como a conhecemos só pode subsistir se existir um observador, ou vários. Afirmação essa que é suportada pela teoria quântica ao enunciar que nenhuma partícula se encontra num local definido, a não ser que haja presença do tal observador. Assim, é necessário a presença de uma consciência (humana ou não) ou seu substituto para reconhecer a realidade. Caso contrário ela é incerta pois qualquer partícula ocupa um lugar indefinido.

Como tal, aquilo que percepcionamos como realidade é um processo que envolve a nossa consciência – Princípio n.º1 do Biocentrismo.

SUPLANTAÇÃO DA CONSCIÊNCIA PELO DINHEIRO

É verdade que nos tornamos uma sociedade consumista, consequência inevitável do capitalismo. Mas de todo irreversível. Façamos, por isso, um pequeno encadeamento lógico.

Sempre fomos ensinados a pensar que tudo tem explicação, sendo a ciência o nosso principal argumento quando confrontados com algo novo ou inesperado. Esta mesma ciência formula teorias que se baseiam ou em factos observados ou em suposições. Esta última é fielmente utilizada pelos físicos teóricos que deambulam num plano consciencioso mais intelectual. Até aí tudo certo. Mas a criação de suposições tem um limite, especialmente quando se criam dimensões invisíveis e por provar experimentalmente, há já alguns anos… valentes anos! Dizem ser esta a única forma de validar certas teorias, nomeadamente a das cordas.

Por consequência lógica, podemos acresentar a este emaranhado de dimensões uma outra: a da consciência (voltamos assim ao Biocentrismo). Como não sabemos quais são as outras dimensões, não podemos negar que a consciência  possa ser uma delas…

No caso do ser humano, esta conscência é um dimensão flexível e em constante mutação. Flexível porque todos possuímos consciências próprias e únicas. Mutável porque esta se altera com as percepções que temos da realidade e actua sobre ela. Aí reside o problema. Com o passar do tempo, o “Eu consciente que penso” está a ser substituído pelo mísero “Eu consciente que possuo”. Isto leva-nos a consumir cada vez mais. E não apenas dinheiro e objectos. Informação também. Temos toneladas de informação à nossa disposição, mas somos incapazes de a processar conscientemente, de a questionar, de a aprofundar intelectualmente.

Isto levanta o seguinte problema:aaaaa Se não somos capazes de questionar informação então absorvemos tudo o que nos é apresentado pelos Media, sem proceder a uma triagem ou selecção prévia para posterior reflexão.

Outro problema: E se essa informação é seleccionada e manipulada antes de ser veiculada? A consequência é chocante, no mínimo, pois torna-nos em pequenas marionetas controladas por um feed contínuo de notícias que nem sequer nos permitem pensar.

Como tal, não desenvolvemos a esfera da consciência, relegando-a para segundo plano, e valorizamos a esfera do prazer momentâneo do materialismo.

É através deste processo de bombardeamento contínuo de informação e imposição de necessidades que a nossa consciência é sufocada e ilusoriamente substituída pela importância relativa quer do dinheiro quer do materialismo.

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